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29 de setembro de 2012


"Os dias bons são os dias em que se acorda, tendo dormido oito, nove ou, melhor ainda, dez horas e, reflectindo naquela ronha de quem já não consegue dormir mais mas gosta de ficar na cama (porque a temperatura e a companhia são perfeitas), se lembra que não tem nada para fazer, senão tomar o pequeno-almoço, o almoço, o chá e o jantar. E, se quiser, entretanto, nalgum intervalo qualquer, trabalhar, tanto melhor. Mas não importa. Dias de domingos antigos: dias de prazer sem saber. 
Os dias bons nunca acontecem. Acontecem, quando muito, cinco ou dez mil vezes numa vida. Três míseros anos já têm mais de mil. (...)
Os dias bons não são os que ficam para lembrança. São aqueles que se esquecem, porque se repetem na mais estúpida felicidade mas que, todos juntos, servirão para um dia eu poder dizer «sim, eu já fui feliz»."

30 de junho de 2012

"O meu tipo preferido de gente é aquela que espirra de um forma engraçada, que ri com a mão na barriga, que canta e dança qualquer música. Aquele tipo de gente que tropeça e finge que está a correr, que sai de pijama à rua, que acorda a sorrir. Gente que não planeia tudo. Gente que pede licença, que diz “obrigado”, que pede desculpas, que chora a ver um filme. Gente que sonha com a realidade e mistura certos tipos de magia."

28 de maio de 2012

Gelam-me os pés e o arrepio, palmo a palmo, sobe-me pelo corpo. São trocadilhos corporais: o que me gela é o coração. Faltam-me as tuas mãos nas minhas e as nossas teimas até acertar o enlace dos dedos. Falta-me o teu olhar intrigado, mas certo de si, de sobrancelha levantada que afirma, sem possibilidade de dúvidas, "mudaste de champô".
Faltas tu ao meu lado e o teu sono rabugento. O teu rolar na cama, a levar o lençol atrás e a desnudar-me. Faltas-me tu e o teu praguejar sonolento que me desperta e faz rir. Falta-me o teu acordar mal humorado e inspirado - qual antagonismo matinal. Falta-me a tua respiração quente no pescoço, mãe de tantos calafrios.
Anda conversar ao luar, debaixo de um manto de estrelas, envoltos no nosso fumo espesso e poético. Quero consumar os nossos pecados. Quero que me seduzas e envolvas nos teus encantos e no fim me projectes o futuro e que me digas que a nossa morada vai ser a mesma.
Vem dizer-me o que sabes do amor e que o amor somos nós.
Faltas-me tu. Vem rápido.

26 de abril de 2012

Somos jovens e a vida corre-nos nas veias. Vivemos os vinte: o equilíbrio harmonioso entre a responsabilidade e a irreverência da jovialidade. O futuro há-de surpreender mesmo que mil, ou mais do que mil, planos sejam traçados todas as noites antes de adormecer, quando me contorço de desejo e tu não estás. Os rascunhos que faço têm-te a ti em grande plano, desenhado com minúcia e esse futuro é certo - já alinhavamos as bases. Quanto às incertezas futuras, essas apenas dizem respeito a outras áreas da vida que não o nosso amor. A escada está lançada, só nos resta subir, degrau a degrau, a cada dia que nasce.

Hoje estamos aqui. Juntos, no presente, em espírito. Vivendo uma sintonia separada por alguns quilómetros e duas metades de cama vazias. Cuidamos do nosso amor em qualquer lado e pouco importa o que na cabeça dos outros corre. Somos apenas nós. Livres dentro do nosso próprio mundo, do nosso compromisso.

Amanhã teremos o mesmo tecto a tapar-nos da chuva. Num futuro que cremos, e queremos, próximo. Uma só cama terá ambas as metades preenchidas, cheias de vida e de calor. Seremos nós os dois, apenas nós, uma família. O acordar e o adormecer um do outro. 

I can't wait...