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13 de maio de 2012

O relógio marcava a vigésima hora do dia, maio, horário de verão. O dia de trabalho acabava na cidade e a população activa desligava as máquinas cerebrais.  
Os homens libertavam-se dos apertados nós das gravatas, dirijam-se ao café e pediam uma cerveja fresca, procuravam o maço e tiravam um cigarro, recostavam-se na cadeira da esplanada e esticavam as pernas - pequenos prazeres da vida. As últimas horas do dia chegavam. O sol ainda se fazia sentir, iluminava a cidade com uma luz subtil e oferecia uma temperatura amena, suficiente para arregaçar as mangas até aos cotovelos. Depois de um dia de trabalho, de cansaço e de calor anormal nesta primavera de maio, perde-se a postura que se assume durante todo o dia, envergando fato e gravata. 
O dia torna-se, assim, fugaz e a noite chega. O silêncio torna-se rei e apenas é quebrado com o movimento rodoviário de quando em vez.

17 de abril de 2012

AR,


Desde 2006, até hoje, o tempo nunca parou. Os anos correram. Momentos cruciais e basilares aconteceram nas nossas vidas. Crescemos, chegámos à idade adulta, começamos a construir a nossa vida com objectivos bem delineados, fins bem definidos e estivemos sempre de olho uma na outra - os quilómetros que nos separam não foram impeditivos.

Conheci-te menina. De profundos olhos castanhos-mistério. Entregue a poucas pessoas, selectiva e cuidadosa. Com medo de arriscar e uma vontade enorme de ser feliz. Perfeccionista, como ainda hoje, e dada aos pequenos detalhes dos dias, das pessoas, dos lugares - da vida. Éramos meninas à descoberta da vida, alvos acessíveis à crueldade alheia. Ainda flores por abrir, talvez no início da primavera… Duas forças em expansão que se unirão. Unimos os nossos gostos, as nossas paixões - criámos elos comuns. Hoje as circunstâncias são diferentes. Já vimos mais da vida. Testemunhámos o que ela tem de bom e o que ela tem de mau. Saboreamos muito mais as estações do ano; o conforto do inverno e o descanso tórrido do verão. Crescemos e aprendemos a valorizar o que realmente merece a nossa estima. 

Hoje és uma mulher, uma mulher de 21 anos. Uma mulher crescida e com a cabeça esclarecida. Uma mulher do bem, uma mulher às direitas. Uma mulher regida por valores e condutas inquestionáveis. Uma mulher como há muito poucas. Princesa criada pelas mãos de uma rainha. És feita do que é feita a paz e a harmonia. Toda tu és coração e alma. És a singeleza de cada primavera, és uma luz ténue e uma busca constante pelo que é certo. E o que mais gosto em ti, o que mais te torna dissemelhante, particular, singular, é a naturalidade dos teus gestos, as tuas ações bem-intencionadas, sinceras, inatas.

Ao longo destes anos juntas tenho acumulado intermináveis agradecimentos a fazer-te. Palmilhámos terras de Portugal, uma pela outra, de mala às costas e braço dado. A maior certeza que, desde sempre, me deste foi a de que nunca me irás falhar. Não importa a distância, ou as vidas paralelas que ambas temos, e não se cruzam, não importa quem entra ou sai da tua vida, nem as alegrias e os desamores que vives, eu sei, inquestionavelmente, que em qualquer sítio, a qualquer hora, estás aí para mim - e vice-versa.

Durante os percursos da vida, em todos os trilhos que percorreres, abre bem os olhos, põe os teus sentidos em alerta. Pessoas como tu, que veem essencialmente o bem nos outros, são mais vulneráveis aos milhares de almas malévolas que pairam por aí e que, de quando em vês, gostam de oferecer facadas aos outros.

Parabéns, irmã.

6 de abril de 2012

6 de junho de 2010

Acordei com a ânsia de te amar. Num qualquer retiro paradisíaco - por ser isolado, por nos isolar do mundo. Longe de tudo, perto de Nós mesmos. Unindo-nos sob a temperatura ténue de um dia primaveril, e Nós provocando uma dissemelhante temperatura tórrida através dos nossos corpos fundidos.

Acordei com o desejo de te acarinhar no meu leito. Esse desejo de repetir tão inesquecíveis manhãs. Esse desejo de proteger as nossas almas unindo os nossos corpos; enleando as mãos; murmurado juras verdadeiras e autênticas e prometendo o futuro.

Acordei a pensar em ti e a rever-nos, abraçados, a cada expiração, a cada inspiração. Acordei a pensar em ti como penso permanentemente, diariamente. Acordei embalada pela última conversa, enternecida por palavras de veludo que amaciam as nossas vidas, já tardia e entre a sonolência própria da madrugada. Acordei questionando-me entre a tua veracidade e a utopia que reflectes. Acordei e despertei a mente para me consciencializar: sim, tal sonho é real e é meu.
Despertei os sentidos e apurei o desejo de te raptar para mim. Quero-te aqui e agora, dentro de mim no meu coração e no meu corpo, sem efemeridades, sem rupturas. Sem reservas, sem medos. Abraça a eternidade que te ofereço agora, sem promessas porque o que está destinado descarta-as. Acordei com a vontade de te ter, essa vontade de todos os dias. De todos os meses. Do resto da vida.

15 de setembro de 2011


Eu sou de conversas meigas, palavras sentidas e segredos seculares. Sou de chá pela tarde adentro e de café ao anoitecer. Sou de mão dada, e pés entrelaçados ao adormecer. Sou da melancolia no Outono e de retiros acolhedores no Inverno. Sou de livros e de chuva nocturna - sempre singela e certa. Sou do calor do Verão e das suas cores imensas. Sou da tranquilidade primaveril e de momentos inesquecíveis. Sou de palavras e da sua grandeza e de chocolate, e também canela. Sou da vontade de amar e da vontade de conseguir. Sou de vaidades e de simplicidade.
Sou minha, e sou dos meus, estejam eles onde estiverem.

18 de junho de 2011


"As quatro estações têm todas o seus cheiros e cores particulares. Quando vemos a Primavera, julgamos nunca ter visto nada assim. A exuberância do Verão é sempre nova e mágica em cada novo ano. Só este ano vemos bem pela primeira vez o Outono. E quando chega o Inverno é um Inverno novo que chega, muito, muito diferente do Inverno do ano passado ou de três anos atrás. Sim, também os anos têm as suas melodias próprias e os seus próprios cheiros. Ter passado o ano aqui ou ali quer dizer ter vivido e visto esse ano. (...)"

19 de abril de 2011

Cumprimento os aguaceiros primaveris através da ampla janela que me abraça o quarto. Ouço, daqui, a chuva que caí certa e permanente. O sol intimidou-se e deixou-nos à mercê do cinzento de um céu que se quer azul. Regressei hoje ao interior de uma camisola mais quente, e mais agasalhada. Hoje, apetece-me ficar de férias sem limite de tempo, numa jornada de ócio infindável, onde a cabeça apenas se ocupa de prazeres inquestionáveis.

4 de abril de 2011

Abre o teu pequeno caderno. Traça rabiscos, desenha linhas imperceptíveis ou reproduz figuras distinguíveis. Eu escrevo - esse é o meu sector, palavras da minha pertença ou afirmações aconchegadas entre aspas. Aperfeiçoamos a nossa doutrina de maledicência e criamos laços, fortalecemos elos, endurecemos ligações.
Se faz favor, um chá verde sem açúcar, para manter o sabor puro, e um chá de menta, frescura líquida, com dois pacotinhos de açúcar. Obrigado.
Aquece-nos o sol tórrido e primaveril.

20 de março de 2011


Chegas tu, Primavera, forte como o calor de Junho. Aqueces-me o corpo com uma temperatura tórrida que não se rende ao acanhamento e fazes-me sonhar, e viajar, sem ser infiel à preguiça, e ao conforto do meu lar.

19 de março de 2011


Por aqui anoitece. Mais um sábado ocioso. Respira-se uma aragem primaveril e o cenário é fogoso, tépido e luminoso. Vem comigo ver a Lua, hoje será excepcionalmente luminosa.