Desde 2006, até hoje, o tempo nunca parou. Os anos correram. Momentos cruciais e basilares aconteceram nas nossas vidas. Crescemos, chegámos à idade adulta, começamos a construir a nossa vida com objectivos bem delineados, fins bem definidos e estivemos sempre de olho uma na outra - os quilómetros que nos separam não foram impeditivos.
Conheci-te menina. De profundos olhos castanhos-mistério. Entregue a poucas pessoas, selectiva e cuidadosa. Com medo de arriscar e uma vontade enorme de ser feliz. Perfeccionista, como ainda hoje, e dada aos pequenos detalhes dos dias, das pessoas, dos lugares - da vida. Éramos meninas à descoberta da vida, alvos acessíveis à crueldade alheia. Ainda flores por abrir, talvez no início da primavera… Duas forças em expansão que se unirão. Unimos os nossos gostos, as nossas paixões - criámos elos comuns. Hoje as circunstâncias são diferentes. Já vimos mais da vida. Testemunhámos o que ela tem de bom e o que ela tem de mau. Saboreamos muito mais as estações do ano; o conforto do inverno e o descanso tórrido do verão. Crescemos e aprendemos a valorizar o que realmente merece a nossa estima.
Hoje és uma mulher, uma mulher de 21 anos. Uma mulher crescida e com a cabeça esclarecida. Uma mulher do bem, uma mulher às direitas. Uma mulher regida por valores e condutas inquestionáveis. Uma mulher como há muito poucas. Princesa criada pelas mãos de uma rainha. És feita do que é feita a paz e a harmonia. Toda tu és coração e alma. És a singeleza de cada primavera, és uma luz ténue e uma busca constante pelo que é certo. E o que mais gosto em ti, o que mais te torna dissemelhante, particular, singular, é a naturalidade dos teus gestos, as tuas ações bem-intencionadas, sinceras, inatas.
Ao longo destes anos juntas tenho acumulado intermináveis agradecimentos a fazer-te. Palmilhámos terras de Portugal, uma pela outra, de mala às costas e braço dado. A maior certeza que, desde sempre, me deste foi a de que nunca me irás falhar. Não importa a distância, ou as vidas paralelas que ambas temos, e não se cruzam, não importa quem entra ou sai da tua vida, nem as alegrias e os desamores que vives, eu sei, inquestionavelmente, que em qualquer sítio, a qualquer hora, estás aí para mim - e vice-versa.
Durante os percursos da vida, em todos os trilhos que percorreres, abre bem os olhos, põe os teus sentidos em alerta. Pessoas como tu, que veem essencialmente o bem nos outros, são mais vulneráveis aos milhares de almas malévolas que pairam por aí e que, de quando em vês, gostam de oferecer facadas aos outros.
Parabéns, irmã.