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25 de outubro de 2012


"Chegou o primeiro cheiro do Outono, súbtil. E com ele o nevoeiro lânguido dos olhares, o desejo do conforto, a mudança de discos no armário, a luz tépida, os dias castanhos, a civilidade dos gestos, a infinita preguiça, o prazer do domingo, a camisola de malha, o cheiro incrível das folhas na província, as estradas vazias e a urgência do sábado de manhã, os corpos pálidos e os sorrisos discretos, a informação de trânsito, as janelas fechadas, o sabor das primeiras gotas que caem sempre na mão, as geleias e o abandono da frescura, o lugar do morto, os olhos a fechar nos fins-de-tarde no transporte público e as correrias em frente das escolas, a noite a ser noite, o amor interrompido, o sossego da casa, as montras cheias, a ausência do céu, as vozes quentes e os cobertores, a disponibilidade para os livros, o elliott smith, as tendências suicidas e o cinismo.
Agora sim, podemos ser felizes."

16 de agosto de 2012

"Desejo que haja cumplicidade. Que o entendimento aconteça no olhar. (...) Desejo que haja tolerância e muita paciência. Que os defeitos de um não magoem o outro. Que as qualidades de um não ofusquem o outro. Desejo que o tempo seja generoso. Que os dias passem em paz. Que as noites sejam de festa. Desejo que a a rotina não seja cruel. Que a paixão seja sempre descoberta. Que o abraço seja sempre conforto. Desejo que as vontades caminhem de mãos dadas. Que as diferenças e distâncias só sirvam para aproximar. E que a fé no amor, seja salvação para todos os dias."

28 de abril de 2012

a linguagem secreta das raparigas

"És muito rica de boas e fortes amigas, que sei que estarão sempre ao teu lado. É um grande conforto para mim saber que já conheceste o apoio e o amor que só podem vir das mulheres. Acompanhar-te-ão em todas as circunstâncias."

13 de março de 2012

deixei-te o sorriso em casa

"Somando a isto, tínhamos um toque original de charme e conforto quanto baste: magníficos chás, para clientes e amigos, servidos em bule de prata com filtro de algodão (ora essa), ou, em alternativa, sempre um café, naturalmente um arábica, bem aconchegado no samovar, também de prata, que fora da minha mãe. Nem se pergunta, mas claro que as chávenas eram de porcelana. Tudo como deve ser (...)."

12 de março de 2012

26 de janeiro de 2012

O som da chuva penetra fundo nos meus ouvidos. Quando a minha audição é ocupada por este som natural rendo-me e sou a sua maior fã. Dispenso qualquer outro tipo de música enquanto tenho esta melodia não artificial. O alpendre é largo o suficiente para me acolher sem que me molhe.
Preparo uma chávena de chá e um tabuleiro com direito a biscoitos. E a um livro com citações sublinhadas e marcado por uma fita de cetim cor-de-rosa algodão-doce. Gosto de preparar estes mimos e de cuidar de mim própria. Debaixo do braço trago uma manta para me abrigar do gélido sopro do vento.
Pego na chávena com as duas mãos e aproximo-a da boca para soprar, cautelosamente. Os meus óculos embaciam-se e a minha visão fica turva mas eu continuo confortável.

5 de março de 2012

Cuddles. They are appreciated. And tea. And blankets. And you.

30 de janeiro de 2012


Um novo refúgio, um novo ninho onde se sentem em casa. Onde repetem os rituais ociosos de amor. Dormem sem horários, cada um do seu lado da cama, seja em qual cama for. Enrolam os pés, como sempre fazem, como quem dá a mão, como quem não quer ir embora ou, pelo menos, não quer quebrar a união.

25 de janeiro de 2012

Gosto de sentir a maciez dos lençóis nos pés nus. E de enterrar a cabeça na almofada como se de uma nuvem se tratasse.

24 de janeiro de 2012

Se me perguntarem se te amo em todos os meus dias e a qualquer hora a resposta, meu amor, será espontânea, sem ser necessária qualquer fração de tempo para pensar.

Sim, amo-te todos os dias do mês. Amo-te quando me deixas desalinhar-te o cabelo. Amo-te quando me beijas a testa. Amo-te quando nos rimos juntos e nos rimos das mesmas coisas, ou um do outro. Amo-te quando chegas e na minha cabeça viajam diabruras. Amo-te quando me aconchegas e dormitamos por minutos que parecem eternas horas de profunda segurança. Amo-te quando não me resistes e amo-te quando te armas em difícil. Amo-te quando fazemos juras por saber que não são meros clichés. Amo-te quando dormes e praguejas sozinho. Amo-te quando barafusto contigo só para nos rirmos no fim. Amo-te quando me tocas, quando me mexes e me desalinhas a conduta. Amo-te quando me provocas. Amo-te quando me beijas exatamente como eu quero. Amo-te quando me dás a mão porque, sabes, para mim, isso é indicativo de força e união. Amo-te quando acreditas que o futuro é nosso. Amo-te quando prevês que a tua vida vai decorrer enleada na minha. Amo-te quando me abraças e eu me sinto pequena e protegida. Amo-te quando fazes amor comigo e a nossa cumplicidade se faz notar. Amo-te quando trocas comigo olhares e sorrisos promíscuos, no auge do prazer. Amo-te quando percebes que estou triste sem que nada precise de dizer. Amo-te quando estamos juntos e custa tanto ir embora. Amo-te quando dizes que era juntos que devíamos viver.

Amo-te quando os nossos “amotes” vêm sem hífen tal como nós: sem nada pelo meio. Amote incondicional e ininterruptamente - é esta a resposta.

4 de janeiro de 2012

"Sinto o cheiro a conforto morno, a casa, a bem-estar, a inverno agasalhado."

3 de janeiro de 2012

Estavam juntos desde sempre ou, pelo menos, era assim que gostava de pensar. Viviam no conforto de um apartamento elegante e simpático.
No ar dançava uma agradável mistura de cheiros: uma pizza, quase pronta, no forno e uma aragem fresca a limpeza. A sala era iluminada apenas pelas labaredas na lareira, autênticas línguas de fogo, e pela iluminação pública da praça que ficava à frente da casa.
O frio de inverno fazia-se sentir e a chuva não cessava há mais de uma semana.
- Queres alguma coisa para acompanhar o jantar? - perguntou ele.
- Quero-te a ti. Todos os dias da minha vida.


13 de março de 2011

A minha vida é uma sucessão de encontros. Encontros contigo no conforto do meu ou do teu lar. Encontros regulares, ou irregulares, na nossa agenda, e intensos que são mais que a vida. A minha vida concentra-se nesses momentos, demorados ou não, onde a entrega é total e apenas nós imperamos. Vivo, assim, de olhos postos no rodopio dos ponteiros do meu relógio.

3 de dezembro de 2010

A minha (outra) pessoa

Não acredito que haja melhor. Não procuro, nem procurarei… Encontrei-o sem o procurar. Sonhava-o apenas. Em devaneios longínquos oprimia o desejo, não o procurava mas sonhava. Encontrei-o. Hoje é o sustentáculo da minha existência.

Falo dele, e falarei, com um orgulho dissemelhante. Falo da sua grandeza e da sua colossalidade como homem e como amante. Não me canso, nem cansarei, enquanto o mais seguro abrigo for a união dos nossos braços. Gosto dele e questiono-me se existirá maior medida de amor do que esta.Sinto uma aragem com o seu perfume, onde quer que vá. Fixa-se na minha pele e não desaparece. Não há asseio que retire a sua essência do meu corpo e corro para ele para renovar cada dose. É aquele cheiro natural combinado com qualquer perfume que me oferece a sensação de chegada de casa, de conforto permanente. Gosto dos braços incansáveis pelos abraços que me oferece, por me mostrar que existe força suficiente para me segurar e me deixar habitar e, porque me cinge com crença, a cada abraço presenteia-me com um beijo terno, apinhado de respeito e de volúpia. Exímio companheiro, parceiro indiscutível a cada troféu na vida, erógeno habilíssimo: proporciona-me uma conexão sem antecedentes, um vínculo incessante, uma firmeza inabalável. Cabe-lhe coabitar comigo no protagonismo deste enredo. Expoente máximo da excelência, ele é o resto da minha vida.


5 de outubro de 2010

18 de agosto de 2009

Adorava os fins de tarde invernais. Espreitava as gotas ruidosas que embatiam no vidro da janela e que de seguida escorregavam até ao parapeito. Aconchegavam-me no desgastado sofá que morava junto à lareira e remexia-me debaixo do cobertor até me sentir inteiramente confortável. Aquecia, sempre, ambas as mãos numa chávena de um delicioso café para depois pegar no gasto e volumoso livro. A cada dia ansiava mais chegar ao término mas não valia a pena agendar tal facto porque aquele ambiente familiar e reconfortante de Inverno que a lareira me proporcionava acabava por me embalar num sono tranquilo. Acabava perdida em sonhos a viajar sem sair do lugar.