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19 de outubro de 2012

rip Manuel António Pina

Regresso devagar ao teu 
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

3 de agosto de 2012

"Num café, certa vez, uma mulher muito mais velha do que eu pediu-me licença para sentar-se à minha mesa e murmurou: Ouça-me, por favor. Se não falar com alguém enlouqueço.  As mulheres podem enlouquecer de silêncio, isso eu sei. Não são capazes de esvaziar as cabeças sozinhas. Dispensam conselhos e abominam gestos compassivos. Só querem ser ouvidas com atenção."

16 de maio de 2012

28 de abril de 2012

a linguagem secreta das raparigas

"(...) simplesmente tagarelando e tomando café, um novo tipo de grupo de mulheres tem vindo a emergir - um grupo que dá valor tanto ao papel da tagarelice e das "conversas de mulheres" como aos assuntos de peso da mulher (...)"

Dos nosso exercícios preferidos.

20 de abril de 2012

guia para os perplexos

"Nos círculos humanitários, a actividade intelectual concentra-se num ambiente de café e fumo de cigarro. Ali, na cafetaria, os prodígios intuitivos da humanidade discutem, com sentimento e imensa energia, assuntos de que têm apenas uma vaga compreensão."

7 de abril de 2012

"Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos. Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas. Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro. Oferece-lhe outra chávena de café com leite. Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. (...) É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua. Ela tem de arriscar, de alguma maneira. Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo. Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois. Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo. Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo. Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype. Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas. Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê. Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve."

1 de abril de 2012


"Os homens são como café, os melhores são quentes, fortes e te mantém acordada a noite toda."

13 de março de 2012

deixei-te o sorriso em casa

"Somando a isto, tínhamos um toque original de charme e conforto quanto baste: magníficos chás, para clientes e amigos, servidos em bule de prata com filtro de algodão (ora essa), ou, em alternativa, sempre um café, naturalmente um arábica, bem aconchegado no samovar, também de prata, que fora da minha mãe. Nem se pergunta, mas claro que as chávenas eram de porcelana. Tudo como deve ser (...)."

27 de fevereiro de 2012



Toques de campainha inesperados, cafés de conversas em esplanadas soalheiras, beijos na testa e palavras aconchegantes. Afagos espontâneos no cabelo, estradas sem trânsito, semáforos verdes e poesia nos jornais. Abraços dados com vontade e amor a fervilhar. Um bom livro, crónicas para ler e vontade de andar a pé.

15 de janeiro de 2012

deixei-te o sorriso em casa

"Deitar o açúcar e mexer lentamente, com vagares ajustados ao cultivo do gosto, levar a chávena aos lábios, sentir o aroma forte, dar um primeiro golinho. São estes gestos e os toques principais do ritual tantas vezes feito e desfeito, outras tantas repetido, muitas outras vezes já esquecido de tão feito, de tão repetido. É sempre assim. Só então se levantam os olhos, em simultâneo com a chávena, nesse hábito praticamente universal e automático, o momento da cafezada de consolação, (...) "

6 de janeiro de 2012

Na atmosfera deste café bailam conversas cruzadas e música de fundo.

13 de novembro de 2011

Quantas cartas te escrevi?
Quantas cartas te escrevi e ficaram por ler?
Quantas cartas deveria ter escrito? Tantas quantas as que deixei em branco.
Palavras percorreram a minha mente, entrecruzaram-se, não descuraram a sintaxe e delas brotaram frases, dissertações internas sobre a vida e o valor de cada pessoa. Sobre o valor de cada pessoa em cada vida e sobre a perda de valor na vida de alguém. Infinitas vezes, ao som de melodias melancólicas, e na boca um trago a café, repensei a vida e os camaradas desta navegação sem retorno.

15 de setembro de 2011


Eu sou de conversas meigas, palavras sentidas e segredos seculares. Sou de chá pela tarde adentro e de café ao anoitecer. Sou de mão dada, e pés entrelaçados ao adormecer. Sou da melancolia no Outono e de retiros acolhedores no Inverno. Sou de livros e de chuva nocturna - sempre singela e certa. Sou do calor do Verão e das suas cores imensas. Sou da tranquilidade primaveril e de momentos inesquecíveis. Sou de palavras e da sua grandeza e de chocolate, e também canela. Sou da vontade de amar e da vontade de conseguir. Sou de vaidades e de simplicidade.
Sou minha, e sou dos meus, estejam eles onde estiverem.

28 de agosto de 2011



O jornal aberto na página das palavras-cruzadaas já a meio, a chávena de café vazia e os montinhos de migalhas de biscoitos - todos juntos contavam uma história.

27 de agosto de 2011


Lá dentro, o local exalava calma, vapor,
odores de café, canela, amêndoas,
paz e boas-vindas.

24 de agosto de 2011


A tarde passou lentamente entre tiquetaques de relógio, cliques de máquina de escrever e chávenas de café.

29 de junho de 2011


"O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente."

21 de junho de 2011


"(...) diante de um livro aberto com capas de pano azul, uma chávena de café vazia e o cinzeiro com um cigarro que se consome enroscando o fumo no ar."