"Julgo, pura e simplesmente, que o sexo acompanhado de intimidade é melhor do que sem ela. (...) O meu corpo está profundamente ligado ao da minha mulher. Possuo, de facto, dois corpos, e a minha vida é dupla. Embora pareça não ter cérebro, como uma cobaia, o meu corpo permanece apaixonado pelo corpo da minha mulher. A minha necessidade de intimidade com quem vivo vai muito mais além da vida sexual. Uns amedrontam-se da vida de casal exactamente pela perspectiva de ver o outro nas mais sórdidas situações. Mas o meu amor nutre-se precisamente por isso. Aprecio ir às compras com ela, tomar café, olhá-la na banheira, tagarelarmos sobre ovnis. Gosto de olhá-la como come,e como estende a roupa. Quando fazemos amor, a nossa intimidade é algo muito preciosa e o nosso prazer depende dela totalmente. Na realidade, fazem amor dois corpos que se conhecem infinitamente, mas que nunca se saturam em redescobrir-se. Sei o que fará em cada instante, embora sempre me surpreenda. Quanto melhor conheço a sua pele, os tendões, a cútis, os gestos, as palavras, maior e mais desesperada é a minha curiosidade. A minha intimidade com o meu outro corpo é permanente; quando durmo, sei, em sonhos, que está junto a mim, mas no momento do amor físico a intimidade torna-se total. Então aí, já não distingo o olhar do tacto, a ternura da violência, a felicidade do sofrimento. Quero-a somente para mim, pois só eu a conheço. (...) A nossa intimidade, em casa, na nossa cama, não nos extenua, antes porém nos frutifica a alegria erótica. (...) Na verdade, só atinges a maturidade sexual quando começas a viver um estranho solipsismo a dois que te faz afirmar: em todo o universo não existem senão dois seres que verdadeiramente fazem amor: eu e a minha amada."
Mostrar mensagens com a etiqueta Pele. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pele. Mostrar todas as mensagens
25 de agosto de 2012
porque gostamos das mulheres
"Julgo, pura e simplesmente, que o sexo acompanhado de intimidade é melhor do que sem ela. (...) O meu corpo está profundamente ligado ao da minha mulher. Possuo, de facto, dois corpos, e a minha vida é dupla. Embora pareça não ter cérebro, como uma cobaia, o meu corpo permanece apaixonado pelo corpo da minha mulher. A minha necessidade de intimidade com quem vivo vai muito mais além da vida sexual. Uns amedrontam-se da vida de casal exactamente pela perspectiva de ver o outro nas mais sórdidas situações. Mas o meu amor nutre-se precisamente por isso. Aprecio ir às compras com ela, tomar café, olhá-la na banheira, tagarelarmos sobre ovnis. Gosto de olhá-la como come,e como estende a roupa. Quando fazemos amor, a nossa intimidade é algo muito preciosa e o nosso prazer depende dela totalmente. Na realidade, fazem amor dois corpos que se conhecem infinitamente, mas que nunca se saturam em redescobrir-se. Sei o que fará em cada instante, embora sempre me surpreenda. Quanto melhor conheço a sua pele, os tendões, a cútis, os gestos, as palavras, maior e mais desesperada é a minha curiosidade. A minha intimidade com o meu outro corpo é permanente; quando durmo, sei, em sonhos, que está junto a mim, mas no momento do amor físico a intimidade torna-se total. Então aí, já não distingo o olhar do tacto, a ternura da violência, a felicidade do sofrimento. Quero-a somente para mim, pois só eu a conheço. (...) A nossa intimidade, em casa, na nossa cama, não nos extenua, antes porém nos frutifica a alegria erótica. (...) Na verdade, só atinges a maturidade sexual quando começas a viver um estranho solipsismo a dois que te faz afirmar: em todo o universo não existem senão dois seres que verdadeiramente fazem amor: eu e a minha amada."
Etiquetas:
Alegria,
Amor,
Cama,
Casa,
Corpo,
Intimidade,
Mircea Cartarescu,
Pele,
Sexo,
Sonhos,
Vida
19 de agosto de 2012
onde reside o amor
"Falar de sexo também é falar da vida. A vida a pulsar nas veias, a pele a respirar outra pele, o prazer misturado com o amor, todas as sensações num só tempo e lugar, uma celebração da existência (...) Mesmo assim, continuo a acreditar que o sexo, enquanto força motriz da vida, é fundamental para uma vida feliz (...)"
Etiquetas:
Amor,
Existência,
Margarida Rebelo Pinto,
Pele,
Prazer,
Sexo,
Vida
