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17 de abril de 2012

AR,


Desde 2006, até hoje, o tempo nunca parou. Os anos correram. Momentos cruciais e basilares aconteceram nas nossas vidas. Crescemos, chegámos à idade adulta, começamos a construir a nossa vida com objectivos bem delineados, fins bem definidos e estivemos sempre de olho uma na outra - os quilómetros que nos separam não foram impeditivos.

Conheci-te menina. De profundos olhos castanhos-mistério. Entregue a poucas pessoas, selectiva e cuidadosa. Com medo de arriscar e uma vontade enorme de ser feliz. Perfeccionista, como ainda hoje, e dada aos pequenos detalhes dos dias, das pessoas, dos lugares - da vida. Éramos meninas à descoberta da vida, alvos acessíveis à crueldade alheia. Ainda flores por abrir, talvez no início da primavera… Duas forças em expansão que se unirão. Unimos os nossos gostos, as nossas paixões - criámos elos comuns. Hoje as circunstâncias são diferentes. Já vimos mais da vida. Testemunhámos o que ela tem de bom e o que ela tem de mau. Saboreamos muito mais as estações do ano; o conforto do inverno e o descanso tórrido do verão. Crescemos e aprendemos a valorizar o que realmente merece a nossa estima. 

Hoje és uma mulher, uma mulher de 21 anos. Uma mulher crescida e com a cabeça esclarecida. Uma mulher do bem, uma mulher às direitas. Uma mulher regida por valores e condutas inquestionáveis. Uma mulher como há muito poucas. Princesa criada pelas mãos de uma rainha. És feita do que é feita a paz e a harmonia. Toda tu és coração e alma. És a singeleza de cada primavera, és uma luz ténue e uma busca constante pelo que é certo. E o que mais gosto em ti, o que mais te torna dissemelhante, particular, singular, é a naturalidade dos teus gestos, as tuas ações bem-intencionadas, sinceras, inatas.

Ao longo destes anos juntas tenho acumulado intermináveis agradecimentos a fazer-te. Palmilhámos terras de Portugal, uma pela outra, de mala às costas e braço dado. A maior certeza que, desde sempre, me deste foi a de que nunca me irás falhar. Não importa a distância, ou as vidas paralelas que ambas temos, e não se cruzam, não importa quem entra ou sai da tua vida, nem as alegrias e os desamores que vives, eu sei, inquestionavelmente, que em qualquer sítio, a qualquer hora, estás aí para mim - e vice-versa.

Durante os percursos da vida, em todos os trilhos que percorreres, abre bem os olhos, põe os teus sentidos em alerta. Pessoas como tu, que veem essencialmente o bem nos outros, são mais vulneráveis aos milhares de almas malévolas que pairam por aí e que, de quando em vês, gostam de oferecer facadas aos outros.

Parabéns, irmã.

23 de janeiro de 2012

Sendo eu uma mulher de letras, e de palavras, e de mimos, muitos, delicio-me com qualquer escrito que me parabenize. A simples lembrança é agradável mas palavras de agradecimento, ou reconhecimento, são água para uma boca sedenta. Obrigada, a todos os que se lembraram do meu vigésimo aniversário e, em especial, aos meus amigos de sempre.

16 de janeiro de 2012

"Um dia, sem mais nem menos, agradeceu-lhe.
- Porquê? - perguntou ela.
- Por existires e seres como és."
Quando erramos, e perdemos os pilares que nos sustentam e os nossos maiores confidentes, caímos num abismo em queda-livre. Quando queremos alguém e sabemos que esse alguém arrumou a sua bagagem e foi embora, por culpa nossa, carregamos às costas uma carga incrivelmente pesada que nos lembra a cada instante, a cada passo que nós colhemos o que semeamos.
Quando cada pequena coisa nos lembra alguém que magoámos e as saudades apertam e fazem-nos sentir um vazio indescritível e sabemos que tudo é culpa nossa, que tudo é fruto dos nossos erros, há um dia em que queremos fechar as janelas, trancar a porta e dormir sem data para acordar, com a cabeça escondida debaixo de uma almofada.
Há dias em que choramos de arrependimento. Dias em que ocupamos a cabeça com as maiores banalidades. Dias em que nos castigamos e recordamos tudo, vamos aos sítios que nos deixam mais saudosos, relemos conversas e escritos antigos. Escrevemos e apagamos, vezes sem fim, palavras que queremos enviar e acabamos por deixar esquecidas. Há dias em que queremos um abraço que liberte todas as lágrimas. Há dias que choramos copiosamente. Há dias em que tentamos recuperar tudo e nos apercebemos que, talvez, estejamos a ser um pouco egoístas. Há dias em que desligamos do mundo e nos alimentamos de saudade porque saudade, também, é isso: manter algo vivo.
Há dias em que vemos alguma coisa e queremos contar, em que sabemos de alguma novidade e falta essa pessoa disponível do outro lado para nos ouvir, para nos receber.
Perder alguém ou, pelo menos, perder alguém durante algum tempo é uma prova de fogo. Provavelmente, se a pessoa não for verdadeiramente importante, e um marco na nossa vida, a sua presença acaba por se dissipar como nevoeiro numa manhã soalheira mas quando nos falta alguém que realmente deixa um vazio nos nossos dias, automaticamente, nós sabemos que essa pessoa é uma das nossas pessoas, uma das peças de quem nós somos.
Quando sabemos que erramos e nos é dada uma segunda hipótese, uma nova chance de não falhar, de não errar - de não ser idiota, ficamos eternamente gratos e sabemos que, mais do que nunca, temos que dar o nosso melhor e mostrar quem somos.

Sei que tenho um castelo para reconstruir e uma rainha forte e decidida para cuidar. Sei o que quero recuperar e o que quero construir, sei onde quero chegar. E sei bem a falta que um abraço me faz.