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25 de abril de 2012



Há quem tenha medo de dar a mão com medo que lhe levem o braço todo mas às vezes há quem mereça a nossa mão e tudo o que nós somos. Até à alma. Até a alma.


No fim, quem cá esteve tem uma certeza: tem de voltar.

24 de abril de 2012

Gosto de pessoas que me percebem sem necessitar de ser explicita ou totalmente objectiva. Gosto de chá ao anoitecer, com uma manta sobre as pernas. Não tenho paciência para ver videoclips. Gosto de andar descalça. Gosto de livros, de sublinha palavras bonitas. Gosto de uma escrita cuidada. Gosto de madrugar e gosto de dormir até tarde. Gosto de ter rotinas, de ter coisas para fazer, de ter coisas combinadas. Gosto de algumas, poucas, pessoas. Gosto dos pés quentes à noite. Gosto da praia ao fim do dia, já vazia. Gosto das unhas grandes e bem pintadas. Gosto de beijos na testa e festas no cabelo. Gosto do reconhecimento das pessoas. 

7 de abril de 2012

"Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos. Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas. Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro. Oferece-lhe outra chávena de café com leite. Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. (...) É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua. Ela tem de arriscar, de alguma maneira. Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo. Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois. Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo. Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo. Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype. Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas. Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê. Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve."
"As melhores pessoas gostam todas de chá."


13 de março de 2012

deixei-te o sorriso em casa

"Somando a isto, tínhamos um toque original de charme e conforto quanto baste: magníficos chás, para clientes e amigos, servidos em bule de prata com filtro de algodão (ora essa), ou, em alternativa, sempre um café, naturalmente um arábica, bem aconchegado no samovar, também de prata, que fora da minha mãe. Nem se pergunta, mas claro que as chávenas eram de porcelana. Tudo como deve ser (...)."

12 de março de 2012

26 de janeiro de 2012

O som da chuva penetra fundo nos meus ouvidos. Quando a minha audição é ocupada por este som natural rendo-me e sou a sua maior fã. Dispenso qualquer outro tipo de música enquanto tenho esta melodia não artificial. O alpendre é largo o suficiente para me acolher sem que me molhe.
Preparo uma chávena de chá e um tabuleiro com direito a biscoitos. E a um livro com citações sublinhadas e marcado por uma fita de cetim cor-de-rosa algodão-doce. Gosto de preparar estes mimos e de cuidar de mim própria. Debaixo do braço trago uma manta para me abrigar do gélido sopro do vento.
Pego na chávena com as duas mãos e aproximo-a da boca para soprar, cautelosamente. Os meus óculos embaciam-se e a minha visão fica turva mas eu continuo confortável.

5 de março de 2012

Cuddles. They are appreciated. And tea. And blankets. And you.

30 de janeiro de 2012

Tranças, amarelo e verde lembram-me de ti. Caracóis desalinhados lembram-me de ti. Recortes, palavras soltas e desenhos a grafite ou a caneta preta também me lembram de ti. Ir à luta, dedicação e ousadia lembram-me de ti. Chá verde, para mim, és tu - tea and cigarettes. Chocolate e analogias lembram-me de ti. Despreocupação e, concomitantemente, empenho e brio lembra-me de ti. Capa e batina e o amor à academia, lembra-me de ti. Cerejas lembra-me de ti. O mistério lembra-me de ti. Mimos e beijos na testa lembram-me de ti. Um manta sobre as pernas e um cigarro lembram-me de ti. Saber amar e saber ser livre, consoante as exigências da vida, lembra-me de ti. Ter classe num vestido justo e ser descontraída com o cabelo atado lembra-me de ti. Unhas vermelhas lembra-me de ti. Lembram-me de ti, também, passeio pela cidade e cafés que duram horas.
Gosto de te ver chegar com aquele jeito tão singular de lançar o cabelo para trás.

28 de janeiro de 2012


- Com ou sem açúcar?
- Com, sff.
- Também bebo chá com açúcar.
- Eu não. Eu bebo açúcar com chá. - disse, sorrindo, ele.

18 de dezembro de 2011


O chá devia ser um momento de conversa e reflexão amenas, com um cigarro, um pequeno treino mental. Devia demorar, no mínimo, meia hora.

15 de setembro de 2011


Eu sou de conversas meigas, palavras sentidas e segredos seculares. Sou de chá pela tarde adentro e de café ao anoitecer. Sou de mão dada, e pés entrelaçados ao adormecer. Sou da melancolia no Outono e de retiros acolhedores no Inverno. Sou de livros e de chuva nocturna - sempre singela e certa. Sou do calor do Verão e das suas cores imensas. Sou da tranquilidade primaveril e de momentos inesquecíveis. Sou de palavras e da sua grandeza e de chocolate, e também canela. Sou da vontade de amar e da vontade de conseguir. Sou de vaidades e de simplicidade.
Sou minha, e sou dos meus, estejam eles onde estiverem.

24 de julho de 2011


Quando alguém se desvia um pouco dos carris que a nossa mente lhes havia destinado é preferível afogar todas as mágoas numa chávena de chá. E respirar fundo.

5 de julho de 2011


Não fiques triste. Se ficares triste, se tiveres essa desagradável sina, lembra-te do quão somos fantásticas.

Noutra vida fomos princesas das cortes mais importantes. Cultivávamos a mente e bebíamos chá em poltronas cuidadosamente esculpidas, especialmente para nós. E ríamos da plebe: pequenos prazeres do ser humano.

Actualmente, somos princesas da vida real. Bebemos chá ou um sumo de laranja e, casualmente, deitámos fumo pelas narinas. Usámos sempre a nossa coroa invisível que, incrivelmente, combina com amarelo ou cor-de-rosa.

Damos encanto a qualquer estação do ano.

4 de abril de 2011

Abre o teu pequeno caderno. Traça rabiscos, desenha linhas imperceptíveis ou reproduz figuras distinguíveis. Eu escrevo - esse é o meu sector, palavras da minha pertença ou afirmações aconchegadas entre aspas. Aperfeiçoamos a nossa doutrina de maledicência e criamos laços, fortalecemos elos, endurecemos ligações.
Se faz favor, um chá verde sem açúcar, para manter o sabor puro, e um chá de menta, frescura líquida, com dois pacotinhos de açúcar. Obrigado.
Aquece-nos o sol tórrido e primaveril.

27 de fevereiro de 2011

Enquanto tenho a meu lado a chávena de chá a fumegar, o aroma a menta a atravessar o meu nariz e o meu livro entreaberto perco o meu raciocínio no labirinto da tua mente.

Podia descrever-te, reescrever-te, numa folha de papel trivial, em poucas palavras, poupando nos adjectivos, fazendo parágrafos mais longos. Escreveria em traços gerais o mais vasto, as características mais corriqueiras e os aspectos mais abrangentes. Podia? Podia mas do profundo do teu âmago ao torneado do teu corpo não me chegaria uma, nem duas folhas de papel. Entre minuciosidades e complexidades as palavras não são suficientes. Darias um livro incrivelmente extenso, recheado e denso onde, tivesse eu tal mestria, as palavras se beberiam graças à sua fluidez e naturalidade.