Porque têm peitos grandes, com bicos que sobressaem das blusas quando têm frio, porque têm um traseiro grande e roliço, porque têm rostos de traços doces como os das crianças, porque têm lábios grandes, dentes bonitos e línguas que não te repugnam. (...) Porque sorriem a todas as crianças que estão à sua volta. Porque caminham direitas pela rua, de cabeça erguida, ombros para trás, e não respondem aos teus olhares quando as focas como um maníaco. Porque ultrapassam com uma coragem inesperada todas as dependências que as suas anatomias delicadas impõem. Porque na cama são audazes e inventivas, não por perversidade, mas para demostrar que te amam. (...) Porque descendem de meninas. Porque pintam as unhas dos pés. (...) Porque são extraordinárias leitoras, para as quais se escreve três quartas partes da poesia e da prosa do mundo. (...) Porque são loiras,morenas, ruivas, doces, quentes, porque têm sempre orgasmo. (...) Porque o momento mais bonito do dia é o do café da manhã., uma hora roendo biscoitos e fazendo planos. (...)"
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25 de agosto de 2012
porque gostamos das mulheres
"Julgo, pura e simplesmente, que o sexo acompanhado de intimidade é melhor do que sem ela. (...) O meu corpo está profundamente ligado ao da minha mulher. Possuo, de facto, dois corpos, e a minha vida é dupla. Embora pareça não ter cérebro, como uma cobaia, o meu corpo permanece apaixonado pelo corpo da minha mulher. A minha necessidade de intimidade com quem vivo vai muito mais além da vida sexual. Uns amedrontam-se da vida de casal exactamente pela perspectiva de ver o outro nas mais sórdidas situações. Mas o meu amor nutre-se precisamente por isso. Aprecio ir às compras com ela, tomar café, olhá-la na banheira, tagarelarmos sobre ovnis. Gosto de olhá-la como come,e como estende a roupa. Quando fazemos amor, a nossa intimidade é algo muito preciosa e o nosso prazer depende dela totalmente. Na realidade, fazem amor dois corpos que se conhecem infinitamente, mas que nunca se saturam em redescobrir-se. Sei o que fará em cada instante, embora sempre me surpreenda. Quanto melhor conheço a sua pele, os tendões, a cútis, os gestos, as palavras, maior e mais desesperada é a minha curiosidade. A minha intimidade com o meu outro corpo é permanente; quando durmo, sei, em sonhos, que está junto a mim, mas no momento do amor físico a intimidade torna-se total. Então aí, já não distingo o olhar do tacto, a ternura da violência, a felicidade do sofrimento. Quero-a somente para mim, pois só eu a conheço. (...) A nossa intimidade, em casa, na nossa cama, não nos extenua, antes porém nos frutifica a alegria erótica. (...) Na verdade, só atinges a maturidade sexual quando começas a viver um estranho solipsismo a dois que te faz afirmar: em todo o universo não existem senão dois seres que verdadeiramente fazem amor: eu e a minha amada."
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