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16 de novembro de 2012




"A leitura depara-se com uma série de obstáculos, é muito mais fácil sentarmo-nos no sofá a ver televisão do que a ler um jornal até. 
E a questão parece ser esta sociedade de facilitismo em que deixou de se perceber que as coisas que dão algum trabalho também são as que dão mais prazer, porque são conquistadas. 
A leitura dá algum trabalho e temos de conquistar um espaço para ela na nossa vida, temos de nos empenhar para absorvê-la completamente, para que faça sentido. Isso é que se perdeu um pouco de vista, mas penso que quem procura acabará por encontrar e tenho esperança de que as pessoas não deixem de procurar, não desistam, porque baixar os braços é ficar sempre no mesmo lugar."

8 de setembro de 2012


"A literatura ajuda-nos não a nos conformarmos com o horror que o mundo tem, mas sim a sonharmos com a beleza que o mundo pode ter."

28 de agosto de 2012

o anjo literário

"Não gosto de ler literatura no ecrã. Nem sequer no meu. Apesar dos fortes argumentos ecológicos e válidas justificações conservacionistas, continuo apaixonado pela palavra impressa, não iluminada."

25 de agosto de 2012

porque gostamos das mulheres

"Porque amamos as mulheres

Porque têm peitos grandes, com bicos que sobressaem das blusas quando têm frio, porque têm um traseiro grande e roliço, porque têm rostos de traços doces como os das crianças, porque têm lábios grandes, dentes bonitos e línguas que não te repugnam. (...) Porque sorriem a todas as crianças que estão à sua volta. Porque caminham direitas pela rua, de cabeça erguida, ombros para trás, e não respondem aos teus olhares quando as focas como um maníaco. Porque ultrapassam com uma coragem inesperada todas as dependências que as suas anatomias delicadas impõem. Porque na cama são audazes e inventivas, não por perversidade, mas para demostrar que te amam. (...) Porque descendem de meninas. Porque pintam as unhas dos pés. (...) Porque são extraordinárias leitoras, para as quais se escreve três quartas partes da poesia e da prosa do mundo. (...) Porque são loiras,morenas, ruivas, doces, quentes, porque têm sempre orgasmo. (...) Porque o momento mais bonito do dia é o do café da manhã., uma hora roendo biscoitos e fazendo planos. (...)"
"A nossa vida é mais feita pelos livros que lemos do que pelas pessoas que conhecemos."

21 de agosto de 2012

‎"Os leitores extraem dos livros, consoante o seu carácter, a exemplo da abelha ou da aranha que, do suco das flores retiram, uma o mel, a outra o veneno". 

20 de agosto de 2012

onde reside o amor

"Há pessoas que nos ensinam a olhar para o mundo de forma diferente; outras que nos ensinam a ler, apresentando-nos autores e livros que irão marcar para sempre a nossa existência, e outras ainda com quem aprendemos a viver os nossos sentimentos e crenças em liberdade e sem medos."

19 de agosto de 2012

por favor não matem a cotovia

"Descobria que a leitura era simplesmente uma coisa que me tinha acontecido, como aprender a apertar o cinto do meu vestido sem estar a olhar, ou saber dar uma laçada nos atacadores dos sapatos."

16 de agosto de 2012

"A leitura tem o poder de despertar em nós regiões que estavam até então adormecidas. Tal como o belo príncipe do conto de fadas, o autor inclina-se sobre nós, toca-nos de leve com suas palavras e, de quando em quando, uma lembrança escondida se manifesta, uma sensação ou sentimento que não saberíamos expressar revela-se com uma nitidez surpreendente."
"Acho que a leitura é uma das melhores coisas que a gente tem na vida, mas tem de ser num campo de liberdade intelectual – cada um resolve o que acha melhor."

9 de agosto de 2012

aquele verão em paris

"Era quase meio-dia e o calor aumentara. A ideia de dar um mergulho na piscina fria, seguido de uma tarde a ler Flaubert à beira da água, parecia-lhe maravilhosa."

7 de agosto de 2012

a bagagem do viajante

"Bom prazer é este de estar sentado à sombra da árvore inventada, neste cubo imenso, neste infinito deserto, a escrever com tinta de longe - a quem? Para lá do risco que separa as areias e o céu, tão longe que sentado as não vejo, andam as pessoas que vão ler as palavras que escrevo, que as vão desprezar ou entender, que as guardarão na memória pelo tempo que a memória consentir e que depois as esquecerão, como se fossem apenas o boquejar sufocado de um peixe fora de água."

5 de agosto de 2012

aquele verão em paris

"(...) as palavras em si pareciam ser não as palavras de seres humanos, mas algo mais, palavras de profetas ou deuses. Pareciam feitas de lava que escorria diretamente do coração do autor para o papel, e depois quando uma pessoa as lias, liquefaziam-se e penetravam na alma através das pupilas."

3 de agosto de 2012

"Os livros contraem-se assim irremediavelmente, tragicamente. Não importa por onde comece a contaminação; há um cheiro, um restolhar de papel, e depois a gulodice alastra. Começa-se a ler muito antes de saber localizar literaturas, nomes, gêneros, e há nesse estrebuchar inicial qualquer coisa de sublime que definitivamente se perde quando crescemos e aprendemos a selecionar o bom e o mau. Lembro-me de vaguear inebriada pelas prateleiras das livrarias, folheando as prateleiras de baixo à procura do livro que eu queria e não sabia qual era, revoltada com a ideia de que talvez o livro estivesse nas prateleiras de cima. Lembro-me dos dias em que um título, uma frase, me faziam trazer para casa ratoeiras onde os dedos se entalavam e os olhos esmoreciam."
"(...) a vida também é para ser lida."

26 de junho de 2012

londres e companhia

"Queixavam-se que toda a gente se julga com o direito de escrever e que ninguém se quer dar ao trabalho de ler."

29 de maio de 2012

o prazer do texto

"Texto de prazer: aquele que contenta, enche, dá euforia; aquele que vem da cultura, não rompe com ela, está
ligado a uma prática confortável da leitura. Texto de fruição: aquele que põe em estado de perda, aquele que desconforta (talvez até um certo enfado), faz vacilar as bases históricas, culturais, psicológicas, do leitor, a consistência de seus gostos, de seus valores e de suas lembranças, faz entrar em crise sua relação com a linguagem."

o prazer do texto

"Daí dois regimes de leitura: uma vai directo às articulações da anedota, considera a extensão do texto, ignora os jogos de linguagem (...) a outra leitura não deixa passar nada; ela pesa, cola-se ao texto, lê, se se pode assim dizer, com aplicação e arrebatamento, apreende em cada ponto do texto o assíndeto que corta as linguagens (...)"