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12 de setembro de 2012

sobre o amor

"O amor como ocasião de repararmos no outro, como crescimento, reapropriação da consciência em si, do corpo, dos sentidos, da liberdade de pensar e de sentir."

4 de setembro de 2012

amar, dormir, comer, beber, sonhar


"Nós somos o nosso corpo. Ele contém-nos e sustém-nos. Ele restringe-nos e controla-nos, encanta-nos e repugna-nos. E, não obstante, as suas actividades mantêm-se em grande medida um mistério. Não vale a pena fingirmos o contrário: todos nós temos inibições relativamente ao corpo, uma consciência nítida das nossas facetas físicas — da simetria e das rugas do rosto, da curva da cintura, do contorno das coxas, do pneu do estômago, dos arcos dos pés. Mas quantos de nós compreendem o drama que se desenrola no seu interior?"

25 de agosto de 2012

porque gostamos das mulheres

"Julgo, pura e simplesmente, que o sexo acompanhado de intimidade é melhor do que sem ela. (...) O meu corpo está profundamente ligado ao da minha mulher. Possuo, de facto, dois corpos, e a minha vida é dupla. Embora pareça não ter cérebro, como uma cobaia, o meu corpo permanece apaixonado pelo corpo da minha mulher. A minha necessidade de intimidade com quem vivo vai muito mais além da vida sexual. Uns amedrontam-se da vida de casal exactamente pela perspectiva de ver o outro nas mais sórdidas situações. Mas o meu amor nutre-se precisamente por isso. Aprecio ir às compras com ela, tomar café, olhá-la na banheira, tagarelarmos sobre ovnis. Gosto de olhá-la como come,e como estende a roupa. Quando fazemos amor, a nossa intimidade é algo muito preciosa e o nosso prazer depende dela totalmente. Na realidade, fazem amor dois corpos que se conhecem infinitamente, mas que nunca se saturam em redescobrir-se. Sei o que fará em cada instante, embora sempre me surpreenda. Quanto melhor conheço a sua pele, os tendões, a cútis, os gestos, as palavras, maior e mais desesperada é a minha curiosidade. A minha intimidade com o meu outro corpo é permanente; quando durmo, sei, em sonhos, que está junto a mim, mas no momento do amor físico a intimidade torna-se total. Então aí, já não distingo o olhar do tacto, a ternura da violência, a felicidade do sofrimento. Quero-a somente para mim, pois só eu a conheço. (...) A nossa intimidade, em casa, na nossa cama, não nos extenua, antes porém nos frutifica a alegria erótica. (...) Na verdade, só atinges a maturidade sexual quando começas a viver um estranho solipsismo a dois que te faz afirmar: em todo o universo não existem senão dois seres que verdadeiramente fazem amor: eu e a minha amada."

7 de agosto de 2012

a bagagem do viajante

"(...) É uma sensação agradável esta de ter o corpo um pouco áspero de sal, a antegozar o duche que nos espera em casa. (...) O momento é tão perfeito que podemos falar de coisas importantes sem que as vozes tenham de subir, e nenhum de nós pensa em ganhar no diálogo e ter mais razão do que a pode ter um comum ser humano que respeite a verdade. Além disso, é verão e, como eu disse, estamos na fronteira do ar livre. (...) Temos a pele doirada e sorrimos muito. (...) Voltamos a conversar, dizemos coisas vagas e lentas, inteligentes, numa plenitude de bem-aventurados. O sol, que desceu um pouco mais, desliza nos copos, acende fogos no vidro e dá ao vinho uma transparência de fonte viva. Sentimo-nos bem, com o restaurante só para nós, rodeados de madeiras fulvas e toalhas coloridas. (...)"

13 de julho de 2012

"Mas também amantes cúmplices, entregues muito para além do corpo. À volta, pertencia-lhes tudo. O mundo inteiro. E , no entanto, nada mais importava."

27 de junho de 2012

"Ainda não existem máquinas capazes de captar o perfume, a textura da pele, o calor do corpo e, principalmente, os sentimentos que podemos esconder atrás de um sorriso."

29 de maio de 2012

o prazer do texto

"O texto tem uma forma humana, é uma figura, um anagrama do corpo? Sim, mas de nosso corpo erótico."

o prazer do texto

"O texto tem uma forma humana, é uma figura, um anagrama do corpo? Sim, mas de nosso corpo erótico."

o prazer do texto

"O texto tem uma forma humana, é uma figura, um anagrama do corpo? Sim, mas de nosso corpo erótico."

o prazer do texto

"O texto tem uma forma humana, é uma figura, um anagrama do corpo? Sim, mas de nosso corpo erótico."

28 de maio de 2012

Gelam-me os pés e o arrepio, palmo a palmo, sobe-me pelo corpo. São trocadilhos corporais: o que me gela é o coração. Faltam-me as tuas mãos nas minhas e as nossas teimas até acertar o enlace dos dedos. Falta-me o teu olhar intrigado, mas certo de si, de sobrancelha levantada que afirma, sem possibilidade de dúvidas, "mudaste de champô".
Faltas tu ao meu lado e o teu sono rabugento. O teu rolar na cama, a levar o lençol atrás e a desnudar-me. Faltas-me tu e o teu praguejar sonolento que me desperta e faz rir. Falta-me o teu acordar mal humorado e inspirado - qual antagonismo matinal. Falta-me a tua respiração quente no pescoço, mãe de tantos calafrios.
Anda conversar ao luar, debaixo de um manto de estrelas, envoltos no nosso fumo espesso e poético. Quero consumar os nossos pecados. Quero que me seduzas e envolvas nos teus encantos e no fim me projectes o futuro e que me digas que a nossa morada vai ser a mesma.
Vem dizer-me o que sabes do amor e que o amor somos nós.
Faltas-me tu. Vem rápido.

27 de maio de 2012

o melhor do mundo

"Ora, a sexualidade é muito mais bonita: são dois pensamentos que dançam segundo a mesma fantasia, e dois corpos e dois ritmos que se acertam na mesma cumplicidade. (...) O que eu acho que é fundamental é que as pessoas percebam que a sexualidade não é o IRS de uma relação. E que as relações só se arriscam a ser para sempre quando são cuidadosamente tratadas."

17 de maio de 2012

"(...) E penso que o meu mundo seria muito pobre se em mim não estivessem os livros que li e amei. Pois, se não sabem, somente as coisas amadas são guardadas na memória poética, lugar da beleza. “Aquilo que a memória amou fica eterno” (...) Os livros que amo não me deixam. Caminham comigo. Há os livros que moram na cabeça e vão se desgastando com o tempo. Esses, eu deixo em casa. Mas há os livros que moram no corpo. Esses são eternamente jovens. Como no amor, uma vez não chega. De novo, de novo, de novo...
(...) Mas o lugar da literatura não é a cabeça: é o coração. A literatura é feita com as palavras que desejam morar no corpo. Somente assim ela provoca as transformações alquímicas que deseja realizar. (...) literatura não é para produzir consciência crítica. O escritor não escreve com intenções didático-pedagógicas. Ele escreve para produzir prazer. Para fazer amor. Escrever e ler são formas de fazer amor. É por isso que os amores pobres em literatura ou são de vida curta, ou são de vida longa e tediosa..."

a bagagem do viajante

"(...) o sol prendera-me na praia, envolvera-me de torpor, e entre o banho e a areia se tinham escoado as horas. É uma sensação agradável esta de ter o corpo um pouco áspero de sal, a antegozar o duche que nos espera em casa. (...) Vida boa. O momento é tão perfeito que podemos falar de coisas importantes sem que as vozes tenham de subir, e nenhum de nós pensa em ganhar no diálogo e ter mais razão do que a pode ter um comum ser humano que respeite a verdade. Além disso, é verão e, como eu disse, estamos na fronteira do ar livre. A aragem faz estremecer umas plantas cheirosas a que podemos chegar com os dedos e em volta das quais zumbem os insectos do tempo. Quebrada pela folhagem, há uma réstia de sol que se derrama pelas madeiras envernizadas da janela. Vida boa. Temos a pele doirada e sorrimos muito. (...) Ah, vida boa, vida boa. (...) Voltamos a conversar, dizemos coisas vagas e lentas, inteligentes, numa plenitude de bem-aventurados. O sol, que desceu um pouco mais, desliza nos copos, acende fogos no vidro e dá ao vinho uma transparência de fonte viva. Sentimo-nos bem, com o restaurante só para nós, rodeados de madeiras fulvas e toalhas coloridas. (...)"

16 de maio de 2012

"Mas também amantes cúmplices, entregues muito para além do corpo. À volta, pertencia-lhes tudo. O mundo inteiro. E, no entanto, nada mais importava."

1 de abril de 2012

É magia. É amor não comum, não banal, não daqueles que há em qualquer esquina. É amor, é magia. 

O meu corpo vive um sobressalto constante, já plurianual. O estado de paixão, que dizem durar meros meses, coisa pouca, nunca me largou, numa mirrou. Nunca, em mim, se desfez. O que me consome por dentro é sentimento crónico, coisa para a vida creio eu. Quando te avisto o bater do meu coração apressa-se, o desejo de te querer agarrar a mim, não largar mais - nessa posse egoísta - instala-se.

17 de março de 2012

"Sou a tua casa, a tua rua, a tua segurança, o teu destino. Sou a maçã que comes e a roupa que vestes. Sou o degrau por onde sobes, o copo por onde bebes, o teu riso e o teu choro, o teu frio e a tua lareira. (...) Sou o sítio onde descansas, a árvore que te dá sombra, o vento que contigo se comove. Sou o teu corpo, o teu espírito, o teu brilho, a tua dúvida. (...) E sou, na luz do outono, o teu olhar. (...) Os teus vinte anos. (...) Sou a tua memória, a memória da tua memória, o teu orgulho, a fecundação das tuas entranhas, a absolvição dos teus pecados. O teu amuleto e a tua humildade. Sou a tua cobardia, a tua coragem, a força com que amas. Sou os teus óculos e a tua leitura. A tua música preferida, a tua cor preferida, o teu poema preferido. Sou o que significas para mim, a ternura que desagua nos teus dedos, o tamanho das tuas pupilas antes e depois de fazer amor. Sou o que sou em ti e o que não podes ser em mim. Sou uma só coisa. E duas coisas diferentes."

13 de março de 2012

deixei-te o sorriso em casa

"Ela amalucada e lânguida, nua, deliciosamente esparramada no chão enquanto eu lhe deslizava a língua pelas costas, muito devagar, ela empinando então o corpo lindo, pujante, «parecia um modelo», diziam as «bocas» da malta vendo-a passar, mas eu é que sabia, eu beijando-a suavemente, aos poucos (...)."

3 de março de 2012

3 de março de 2012

Dentro de mim fervilha um amor imenso. O meu coração palpita desaceleradamente, sem travões ou rédeas, numa espécie de vulcão em erupção. A minha mente é invadida por infinidades de pensamentos romanescos e libidinosos. O meu sorriso acontece sem autorização, sem que eu tenha qualquer controlo nele. As minhas mãos, tão desavergonhadas, ganham vida própria tal qual um explorador de terras paradisíacas. E, quantas vezes, os meus olhos humedecem-se de orgulho.
Enquanto repousas, a meu lado, de olhos fechados, semblante sereno e respiração profunda, ritmada, eu sou tudo isto. Uma alma alvoroçada por uma paixão que não cessa, nem mingua. Uma mulher agradecida à vida.
Quando te contorno o rosto com a ponta dos dedos, e absorvo a textura da tua barba por fazer, fico em silêncio, ouvindo-nos respirar, mas mil discursos ganham forma na minha cabeça. Há tanto sentimento que te quero dizer e há tantas palavras por inventar - nenhuma possuí grandeza suficiente para transmitir o sentimento que cresce cá dentro e, na realidade, toma conta de mim.

Hoje. Agora, deito-me numa cama vazia e grande demais para mim, sem ti. Na almofada ao lado não estás tu de sorriso matreiro e puro. No meu corpo não encaixa o teu - verdadeiro poço de prazer. Fazer amor não está à distância de um simples beijo desafiador. E eu sei que não vou acordar com o teu cheiro a pairar pelo ar, nem te vou ter adormecido e inocente em jeito de pequeno-almoço. Os meus olhos fixam um ponto e revejo um filme de amor e transparência, reciprocidade e paixão. A mais bela história que conheci. Somos nós.
Por fim adormeço. Embora longe, prevejo que os nossos pensamentos se alinharão.
E no futuro, o que agora é esporádico será diário e, ainda assim, mágico.

- Gostas de mim?
- Um pouco.

10 de dezembro de 2011

A cama onde, todas as noites, em vão, me tento aquecer sozinha já foi palco de mil histórias e, sempre, tu e eu como protagonistas. Promessas de cada vez mais e momentos de prazer que param e aceleram o relógio e nos fazem perder a noção do tempo, do mundo e de tudo o que é exterior a nós.
Abraços apertados, tanto carinho nas tuas mãos macias a contornarem-me o corpo, a afagarem-me o cabelo. Beijos de arrepiar no pescoço, beijinhos de respeito colossal na testa.