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5 de junho de 2012

"(...)
Onde estiveste? Preso em algum sonho surreal, seguro pela corda do amor mas tão distante quanto o brilho do teu olhar perdido...
Onde estiveste? Que paisagens contemplaste, que sabedoria acumulaste até chegares a mim, até me tornares rainha, de coroa enfeitada por rosas na primavera.
Que amarguras, paixão, te fizeram chorar, que alegrias te fizeram rejubilar, que desassossegos te fizeram caminhar até mim?
Quantas voltas teve o mundo que dar, quantos Invernos tiveram que passar, quantas estrelas nasceram e morreram, quantas luas cheias iluminaram e banharam a tua face morena, até seres meu? Demoraste? Porquê ? Que caminhos desbravaste por entre a selva do desejo e da vulgaridade até chegares aqui? Que medos abandonaste á deriva do teu ser?
Chegaste."

13 de abril de 2012

silêncio para 4

"Podíamos ir à praia. O tempo melhorou, depois do Inverno, temos agora dias lindos, azuis, não mexe uma folha, olha lá para fora, tudo tranquilo, vamos de manhã, consegue arranjar isso, cedo, na praia quanto mais cedo melhor, cheiros da maresia, praias com rochas perto, gaivotas, musgo, água limpa, praia aberta sobre o mar, vamos a uma praia virada para o Atlântico, escolhemos o dia, dia sem vento."

9 de abril de 2012

"Gestos, palavras de vida. Toneladas de vezes mais potente que o álcool. Muito mais gostoso que banho quente, depois de uma chuva fria de Inverno, ou um banho de mar espumante no calor do Verão."

silêncio para 4

"Histórias de amor, amor de um espaço que vai de um ser para outro, uma corrente de fios de sentimentos, fios de alma, fios de qualquer coisa, uma corrente que estabelece comunhão, que dá vidências, imediatas, nó cego, nesse espaço que vai de uma pessoa para a outra estabelece-se o amor, é a residência oficial, de Verão e de Inverno, é o campo de batalha, campo que duas pessoas transportam, habitam, atmosfera que respiram, engolem, fazem de peixes, tornam-se anfíbios, vivem nesse espaço só, único intransmissível, espaço finito e infinito ao mesmo tempo, real e irreal, liga duas pessoas, atrai na loucura, tira a consciência dos momentos comuns, vive em comum, é uma via láctea, cheia de amor."

14 de março de 2012

deixei-te o sorriso em casa

"Aparentemente.
Tudo quieto. Tudo pousado.
Calma boa.
É verdade que às vezes nos sentimos bem, assim mesmo bem, por motivos eventualmente inexplicáveis de tão pequenos, tanto que até chegamos a ter medo da sua insignificância. Um dia, serás apenas e só porque faz bom tempo pela manhã, outro porque o sol forte promete dar cabo das invernias, ou porque há uma qualquer noite onde a culpa é da lareira que nos vai amornando preguiças, cumplicidades. Para outros, os tais dos sonhos que nunca se cansam deles, nem eles se cansam de os sonhar, é a simples adivinhação de um jantar delicioso partilhado no final da delícia. Tudo isso, já se sabe, pode desenhar na cara da gente um sorriso, apalermado. Dizem que é o tal da felicidade. Há inclusivamente quem, na ocasião, arrisque um cantarolar infantil debruçado em ingenuidades de algibeira."

24 de janeiro de 2012

À varanda com vista sobre a cidade chega um sol ameno e estrangeiro, ou não estivéssemos nós no cume do inverno. Finos cigarros, presos entre os nossos dedos, são consumidos à velocidade de uma conversa. Risos ecoam e a luz do sol, refletida na parede branca, obriga-nos a fazer caretas de quem semicerra os olhos. Novidades e preocupações ocupam o nosso discurso na mesma proporção.

4 de janeiro de 2012

"Sinto o cheiro a conforto morno, a casa, a bem-estar, a inverno agasalhado."

20 de dezembro de 2011


E quando voltares, no gélido Janeiro que virá, eu estarei aqui à tua espera, cheia de saudades.

4 de dezembro de 2011

Se olhasse em redor apenas via a ligeira azáfama de um domingo normal onde o ócio impera e se ressuscita, em toda a gente, a energia para mais uma semana. Por detrás dos óculos de sol, de uma negrura profunda, o dia apenas lhe parecia mais cinzento, mais sombrio e, sobretudo, mais triste. As lentes escuras serviam, também, para esconder o olhar cansado e uma ou outra lágrima suscétivel de escapar. O frio de inverno fazia-se sentir. As mãos gelavam a cada sopro gélido do vento de dezembro. O cigarro apenas servia para distrair pensamentos e, quem sabe, aquecer a alma.

8 de outubro de 2011


"Nas noites frias de Inverno, ela ficava deitada na cama, a tremer e a ouvir a chuva a bater na janela, observando os cortinados a ondular por força da corrente de ar (...)".

15 de setembro de 2011


Eu sou de conversas meigas, palavras sentidas e segredos seculares. Sou de chá pela tarde adentro e de café ao anoitecer. Sou de mão dada, e pés entrelaçados ao adormecer. Sou da melancolia no Outono e de retiros acolhedores no Inverno. Sou de livros e de chuva nocturna - sempre singela e certa. Sou do calor do Verão e das suas cores imensas. Sou da tranquilidade primaveril e de momentos inesquecíveis. Sou de palavras e da sua grandeza e de chocolate, e também canela. Sou da vontade de amar e da vontade de conseguir. Sou de vaidades e de simplicidade.
Sou minha, e sou dos meus, estejam eles onde estiverem.

24 de julho de 2011

Lembras-me as grandes cidades, a correria. O rebuliço das grandes avenidas. As pessoas azafamadas e em grandes jornadas rotineiras. Lembras-me a calmaria do rio, o olhar atento e os sentidos em alerta. Lembras-me pormenores descobertos e recebidos com um sorriso. Lembras-me abraços raros e, por isso, sentidos. Lembras-me viagens de mala às costas e post-its esquecidos propositadamente. Lembras-me Verão e Inverno e o termo. As noites gélidas e as janelas abertas para expulsar o calor de Agosto. Lembras-me eternos registos através de um click.

18 de junho de 2011


"As quatro estações têm todas o seus cheiros e cores particulares. Quando vemos a Primavera, julgamos nunca ter visto nada assim. A exuberância do Verão é sempre nova e mágica em cada novo ano. Só este ano vemos bem pela primeira vez o Outono. E quando chega o Inverno é um Inverno novo que chega, muito, muito diferente do Inverno do ano passado ou de três anos atrás. Sim, também os anos têm as suas melodias próprias e os seus próprios cheiros. Ter passado o ano aqui ou ali quer dizer ter vivido e visto esse ano. (...)"

1 de maio de 2011


Acabava de sair de casa. Entre aguaceiros invernais e largos raios de sol, apanhava, agora, uma brisa fresca, mas não demasiado fria, e uma luminosidade tipicamente primaveril. Bebeu o seu café vespertino num canto tão aconchegado como escondido. Pelas grandes janelas vislumbrava imagens de um domingo calmo. Junto a si trazia o habitual caderno onde rabiscava palavras cheias de sentido, ou sem sentido nenhum. Fumando o primeiro cigarro do dia, escreveu confidências e coisas do mundo.

5 de outubro de 2010

18 de agosto de 2009

Adorava os fins de tarde invernais. Espreitava as gotas ruidosas que embatiam no vidro da janela e que de seguida escorregavam até ao parapeito. Aconchegavam-me no desgastado sofá que morava junto à lareira e remexia-me debaixo do cobertor até me sentir inteiramente confortável. Aquecia, sempre, ambas as mãos numa chávena de um delicioso café para depois pegar no gasto e volumoso livro. A cada dia ansiava mais chegar ao término mas não valia a pena agendar tal facto porque aquele ambiente familiar e reconfortante de Inverno que a lareira me proporcionava acabava por me embalar num sono tranquilo. Acabava perdida em sonhos a viajar sem sair do lugar.