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5 de junho de 2012

"(...)
Onde estiveste? Preso em algum sonho surreal, seguro pela corda do amor mas tão distante quanto o brilho do teu olhar perdido...
Onde estiveste? Que paisagens contemplaste, que sabedoria acumulaste até chegares a mim, até me tornares rainha, de coroa enfeitada por rosas na primavera.
Que amarguras, paixão, te fizeram chorar, que alegrias te fizeram rejubilar, que desassossegos te fizeram caminhar até mim?
Quantas voltas teve o mundo que dar, quantos Invernos tiveram que passar, quantas estrelas nasceram e morreram, quantas luas cheias iluminaram e banharam a tua face morena, até seres meu? Demoraste? Porquê ? Que caminhos desbravaste por entre a selva do desejo e da vulgaridade até chegares aqui? Que medos abandonaste á deriva do teu ser?
Chegaste."

18 de maio de 2012

a bagagem do viajante

"Por cima de nós formou-se um anel de nuvens que quase ao sol-pôr enegreceram e começaram a largar chuva, e então por muito tempo andámos sem que uma gota nos apanhasse, enquanto à nossa volta, circularmente, uma cortina de água nos fechava o horizonte. Por fim as nuvens desapareceram. A noite vinha devagar entre as oliveiras. (...) Por causa de tudo isto me veio uma grande vontade de chorar. Ninguém me via, e eu via o mundo todo. Foi então que jurei a mim mesmo não morrer nunca."

14 de maio de 2012

a linguagem secreta das raparigas

"Os bons tempos são ainda melhores quando partilhados. Uma boa e longa conversa pode curar quase tudo. Toda a gente precisa de alguém com quem partilhar segredos. Escutar é tão importante quanto falar. Uma amiga que nos compreende é melhor que um terapeuta, e mais barato! O riso faz do mundo um lugar melhor. (...) Ás vezes só precisamos de um ombro onde chorar. Mentes brilhantes pensam da mesma maneira, principalmente se forem mulheres! Quando se tratar de «criar laços» as mulheres fazem-nos melhor. (...) É importante arranjar tempo para «as coisas de rapariga». As calorias não interessam quando almoçamos com amigas.
Agora ligue a uma amiga e vá almoçar com ela!"

22 de abril de 2012

"Tenho uma particularidade instigante: preciso da solidão. Gosto de pessoas, preciso delas, não sei viver sozinha. Mas sou mimada, preciso quando eu quero. Sou egoísta, gosto de ver televisão sozinha, sem ninguém falando junto. Sou chata, não gosto de dividir banheiro com ninguém. Sou espaçosa, bagunço as minhas coisas. Preciso da solidão pra ler, pra olhar para o teto, pra tirar ponta dupla do cabelo, pra fazer as unhas, pra pensar em tudo, pra fazer nada. Preciso da solidão pra ser eu mesma. Pra fazer alongamento, rir de mim, chorar comigo. Não entendo como tem gente que não abre a janela em dias nublados. Eu adoro janelas abertas, esteja um dia lindo de sol ou um carregamento de nuvens cinzas. Tenho que sentir o ar que vem lá de fora, seja ele qual for. Com seu gosto, cheiro, textura. Falo algumas coisas esquisitas como essa, por exemplo, ar com textura. Conheço cores que ninguém conhece, vejo alguns filmes que grande parte da população acha tosco. Não gosto de deixar as coisas pela metade, mas já deixei…"

9 de abril de 2012

silêncio para 4

"A vida entre duas pessoas entorna-se em alegrias e tristezas, pequenas alegrias e pequenas tristezas, vaivém, baloiço, duas pessoas riem, choram, lembram-se, falam agora mesmo, como nós estamos a falar, falam por falar, necessidade absoluta de sons (...)."

4 de abril de 2012

silêncio para 4

"Não me percebes, paixão é diferente, é viver em comum, não poder viver um sem o outro, castelos de fantasia, ser feliz e infeliz ao mesmo tempo, chorar e rir, correr e estar parado, amor de paixão é dor que não passa, dor de que se gosta, dor cheia de incertezas."

17 de março de 2012

"Sou a tua casa, a tua rua, a tua segurança, o teu destino. Sou a maçã que comes e a roupa que vestes. Sou o degrau por onde sobes, o copo por onde bebes, o teu riso e o teu choro, o teu frio e a tua lareira. (...) Sou o sítio onde descansas, a árvore que te dá sombra, o vento que contigo se comove. Sou o teu corpo, o teu espírito, o teu brilho, a tua dúvida. (...) E sou, na luz do outono, o teu olhar. (...) Os teus vinte anos. (...) Sou a tua memória, a memória da tua memória, o teu orgulho, a fecundação das tuas entranhas, a absolvição dos teus pecados. O teu amuleto e a tua humildade. Sou a tua cobardia, a tua coragem, a força com que amas. Sou os teus óculos e a tua leitura. A tua música preferida, a tua cor preferida, o teu poema preferido. Sou o que significas para mim, a ternura que desagua nos teus dedos, o tamanho das tuas pupilas antes e depois de fazer amor. Sou o que sou em ti e o que não podes ser em mim. Sou uma só coisa. E duas coisas diferentes."

3 de janeiro de 2012

Não tenho mais tempo a perder. Não tenho mais espaço para lamentações. Tenho um lugar cativo para o arrependimento e um punhado de saudades para aniquilar. Tenho uma vontade soberba de te ver regressar à minha rotina com bons-dias e boas-noites repletos de verdadeiro sentimento e de uma confiança crescente que, espero, renasça das cinzas e se edifique com alicerces mais fortes que nunca.
Quero saber por onde andas e o que a vida te tem oferecido. Por quantas armadilhas passaste ilesa, ou não. Quero saber porque ris e porque choras. Quais os teus medos e as tuas verdadeiras vitórias. Quero que sintas que estamos juntas ou que, pelo menos, eu não vou arredar pé e preciso de um abraço. Se precisares, eu vou contigo até para a guerra.