"Todas nós temos uma pequena cabra cá dentro. Umas mais que outras, mas todas somos rápidas no gatilho quando a demanda é apontar uma outra mulher. Seja porque está com um homem mais velho ("claramente por causa do dinheiro"), ou porque o decote é longo ou a saia curta ("depois admira-se...") ou apenas porque não passa a vida a queixar-se de tudo ("deve ter a mania que é boa").
Uma mulher incomum, ou com atitudes incomuns, é a piñata de muitas mulheres que conheço, inclusivamente eu mesma durante grande parte da minha vida. Não me chegou ser eu mesma alvo da maldade alheia durante os anos formativos do crescimento - fui tudo menos uma adolescente comum - que achei que o melhor seria repetir o padrão. Como? Não respeitando a diferença e, sobretudo, não percebendo que quanto mais nos retalharmos umas às outras menos menos respirável e bonito será o ambiente em que vivemos. E pior. Se continuarmos a tirar a faca da liga para verbalmente esquartejar quem usa ligas sem faca, se a primeira coisa que temos a dizer a quem não se veste/fala/pensa/comporta da mesma forma que nós são palavras de escárnio e maldizer, estamos a dizer às nossas filhas que ser mulher é, antes de qualquer coisa, ser mesquinha, pobrezinha e sem grande interesse.
Estás nas nossas mãos."