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7 de abril de 2012

4 de feveriero de 2011

A cidade anoitece. Vislumbram-se pequenos focos de luz que, sabe, são luzes que aquecem e iluminam centenas de lares onde habitam tantas pessoas que nem consegue imaginar quantas. Conheceu a sorte de habitar no cima da colina onde se consegue regalar com uma vista citadina, e invejável. Admira a sua casa por se situar na cidade, perto de tudo, e, ao mesmo tempo, ser, também, um refúgio onde os sons da cidade não chegam num tom indecifrável. Haviam escolhido este local pela sua calmaria indiscutível e consideravam-no o seu paraíso, passasse o tempo que passasse, independentemente do estado climatérico. 
Gostava de preparar uma recepção romântica sempre que chegava a casa antes d'ele, e hoje era um desses dias. Enquanto preparava um dos pratos preferidos do seu homem para o jantar, decidiu pôr a mesa junto à lareira, iluminando a sala sem qualquer ajuda eléctrica. Adorava as refeições naquela mesa de madeira, pequena, baixa e o tapete macio a suavizar o chão. Esta sensação era uma das mais acolhedoras de que tinha memória. Isto era sentir-se em casa e bastava, apenas, que ele chegasse para que se sentisse completa, e em casa.
Sentiu-o entrar em casa, não pelo barulho do carro a regressar à garagem, nem pelo ruído habitual das chaves, da fechadura a rodar, ou da porta a abrir e a fechar, mas sentiu-o, sim, pelo cheiro. Era aquele aroma que anunciava a sua chegada. Há anos que elogiava o seu cheiro e sabia que nunca o encontraria concentrado num pequeno frasco de uma perfumaria. Era o cheiro do amor, do seu amor e, por isso, tão delicioso e único. Mais do que o perfume caro e os produtos para o cabelo era o cheiro natural que emanava que ela tanto gostava de inalar. Era sinónimo de segurança e, logicamente, de proximidade física-
Hoje, queria-o como o queria desde o primeiro momento. Correi para ele, ainda à porta de casa, e sorriu enquanto se preparava para o beijar. Todos os beijos tinham em si o fogo e o amor que sempre conheceram e nunca perderam o calor, nem com a fugacidade do tempo. Havia malícia nas curvas e contra-curvas das suas línguas. 
Não se recordava de alguma vez não o ter desejado.

12 de março de 2012

26 de janeiro de 2012

O som da chuva penetra fundo nos meus ouvidos. Quando a minha audição é ocupada por este som natural rendo-me e sou a sua maior fã. Dispenso qualquer outro tipo de música enquanto tenho esta melodia não artificial. O alpendre é largo o suficiente para me acolher sem que me molhe.
Preparo uma chávena de chá e um tabuleiro com direito a biscoitos. E a um livro com citações sublinhadas e marcado por uma fita de cetim cor-de-rosa algodão-doce. Gosto de preparar estes mimos e de cuidar de mim própria. Debaixo do braço trago uma manta para me abrigar do gélido sopro do vento.
Pego na chávena com as duas mãos e aproximo-a da boca para soprar, cautelosamente. Os meus óculos embaciam-se e a minha visão fica turva mas eu continuo confortável.