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29 de março de 2012

"Coragem é escrever cartas de amor a um sábado à noite e deixar o mundo ler.
Escrevi-te algumas. Nunca que te disse. Não te mostrei. O mundo não sabe que escrevo coisas destas. As cartas de amor são sempre ridículas. Mas as dos outros são ainda mais ridículas. Parece que carregamos todos esse medo: o de parecermos ridículos aos olhos daqueles que nunca escreveram uma carta de amor. Ter coragem é perder esse medo."

13 de novembro de 2011

Quantas cartas te escrevi?
Quantas cartas te escrevi e ficaram por ler?
Quantas cartas deveria ter escrito? Tantas quantas as que deixei em branco.
Palavras percorreram a minha mente, entrecruzaram-se, não descuraram a sintaxe e delas brotaram frases, dissertações internas sobre a vida e o valor de cada pessoa. Sobre o valor de cada pessoa em cada vida e sobre a perda de valor na vida de alguém. Infinitas vezes, ao som de melodias melancólicas, e na boca um trago a café, repensei a vida e os camaradas desta navegação sem retorno.

24 de julho de 2011


Olharei para o telemóvel vezes sem fim: força do hábito. Acordarei numa cama vazia, mergulhada num silêncio profundo, tal como irei permanecer ao longo de todo o dia. Conheço-me e sei bem a falta que me farás. O teu beijo, o cheiro e as mais triviais palavras. Um bom dia, uma boa noite. Algumas palavras só para fazer rir ou as palavras mais ternas. Os beijos roubados. O sorriso cinematográfico de rebentar corações.

Escrever-te-ei cartas de amor mesmo que não tenhas uma morada para as receber. O nosso pensamento estará conectado. Quero que voltes rápido, e ainda aqui estás.

27 de fevereiro de 2011

Em jeito de boas noites, ou até mesmo de carta, ou postal, ou telegrama ou qualquer coisa, gosto de usar as minhas palavras e envia-las até a ti, esperando que as guardes num cantinho, numa gaveta, dentro de ti e te lembres do significado de Nós, para mim, agora que estás a ler e quando não estiveres mas a nossa imagem acorrer ao teu pensamento.
Um domingo passado a cambalear, entre o que tenho que fazer, o que fiz e o que me apetecia fazer, tem espaço, muito espaço até, para me deliciar contigo. Mesmo que o trabalho te tenha engolido e estejas em silêncio eu não me esqueço de ti, um só segundo. Relembro-me de nós deitados nesta cama, onde deixas o rasto do teu cheiro, enleados, afastados do resto do Mundo - que é nada. E quero-te aqui comigo, repetidas e intermináveis vezes, sem que nunca chegue a hora de partires. Recapitulo cada gesto, cada aparatoso suspiro de prazer e os risos ruidosos que proporcionamos, um ao outro. É este amor, de dar e receber, que me emociona só de pensar, só de relembrar, só de querer mais.