Dentro de mim fervilha um amor imenso. O meu coração palpita desaceleradamente, sem travões ou rédeas, numa espécie de vulcão em erupção. A minha mente é invadida por infinidades de pensamentos romanescos e libidinosos. O meu sorriso acontece sem autorização, sem que eu tenha qualquer controlo nele. As minhas mãos, tão desavergonhadas, ganham vida própria tal qual um explorador de terras paradisíacas. E, quantas vezes, os meus olhos humedecem-se de orgulho.
Enquanto repousas, a meu lado, de olhos fechados, semblante sereno e respiração profunda, ritmada, eu sou tudo isto. Uma alma alvoroçada por uma paixão que não cessa, nem mingua. Uma mulher agradecida à vida.
Quando te contorno o rosto com a ponta dos dedos, e absorvo a textura da tua barba por fazer, fico em silêncio, ouvindo-nos respirar, mas mil discursos ganham forma na minha cabeça. Há tanto sentimento que te quero dizer e há tantas palavras por inventar - nenhuma possuí grandeza suficiente para transmitir o sentimento que cresce cá dentro e, na realidade, toma conta de mim.
Hoje. Agora, deito-me numa cama vazia e grande demais para mim, sem ti. Na almofada ao lado não estás tu de sorriso matreiro e puro. No meu corpo não encaixa o teu - verdadeiro poço de prazer. Fazer amor não está à distância de um simples beijo desafiador. E eu sei que não vou acordar com o teu cheiro a pairar pelo ar, nem te vou ter adormecido e inocente em jeito de pequeno-almoço. Os meus olhos fixam um ponto e revejo um filme de amor e transparência, reciprocidade e paixão. A mais bela história que conheci. Somos nós.
Por fim adormeço. Embora longe, prevejo que os nossos pensamentos se alinharão.
E no futuro, o que agora é esporádico será diário e, ainda assim, mágico.
- Gostas de mim?
- Um pouco.