Depois das intempéries, dizem, sempre vem a calmaria, a bonança. O mar abrandou, é certo, a ondulação aquietou-se… Há três anos atrás hasteei a bandeira verde, de bons mares e calmos ventos, para não mais a descer.
Pouca crença era a minha naquela tarde de conversa, de mimos a medo e de um beijo inaugural – inesquecível. Na minha cabeça havia, achava eu, meras ilusões utópicas mas a magia acontece, os milagres também – tu sabes, e a tua vontade assemelhou-se à minha. Deste-me a mão e um punhado de esperança. Amarraste-me a alma. Ficarmos juntos tornou-se um objetivo.
Não somos responsáveis pelo nascimento deste amor mas não é à toa que tudo ainda perdura. Hoje sei que te amo por todas as razões e mais mil e não apenas por razões que se contem pelos dedos das mãos. Quem tu és está em tudo o que eu sou. Ensinaste-me o amor de entrega total, puro e divino, ensinaste-me a tece-lo como um delicado fio de seda – diariamente. Ensinaste-me o verdadeiro sentido de ‘reciprocidade’ e mostraste-me a beleza de dar e receber na mesma dimensão sem cobranças nem favores. Não penso que haja muitos casais como nós onde o encaixe é perfeito e a intimidade é inteira
Três anos volvidos e a bandeira verde continua içada. As estações do ano mudaram uma vez, outra e outra e nenhum temporal desfez a nossa construção. Somos uma fortaleza sobrenatural que edificámos e que nenhuma batalha demoliu. Somos uma história memorável que juntos vamos caligrafando, folha a folha, com o maior dos cuidados. Somos frescos e fortes. Vivemos para amar e amamos para viver. Aqui há desejo, há ternura e há paixão. Há rotina e há aventura numa dose equilibrada.
Há um sonho, um futuro. Amor é mesmo isso, é vontade de pensar no que vem a seguir, fantasiar com isso a que apelidamos futuro, vida a dois. Eu quero partilhar contigo a mesma morada e dormir no aconchego do teu calor todas as noites.
Amar-te tornou-se o meu respirar.



